Boom das lajes corporativas eleva aluguel na Faria Lima para mais de R$ 300 por m²
Retorno ao trabalho presencial reduz vacância dos escritórios Triple A e impulsiona preços em regiões como Faria Lima, Paulista e Chucri Zaidan
Foto: Divulgação O mercado de lajes corporativas vive um novo ciclo de expansão em São Paulo impulsionado pelo aumento da frequência do trabalho presencial. O movimento reduziu a vacância dos edifícios de alto padrão e elevou o aluguel na Faria Lima para mais de R$ 300 por metro quadrado, podendo ultrapassar R$ 400 nos empreendimentos mais disputados. Grandes empresas no Brasil e no exterior ampliaram a presença dos funcionários nos escritórios nos últimos anos. Entre os casos citados pelo mercado estão Amazon, JPMorgan e Nubank. Segundo executivos do setor, a volta ao presencial contribuiu para aumentar a demanda por espaços corporativos.
A Brookfield Properties, que administra cerca de 900 mil metros quadrados em escritórios no Brasil, informou que a taxa de ocupação do seu portfólio chegou a 91%, alta de nove pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em 2025, a companhia fechou contratos de locação equivalentes a 83 mil metros quadrados e, em 2026, já soma 25 mil metros quadrados.
As empresas de tecnologia também voltaram a ampliar suas operações físicas. Segundo Elvis Credendio, analista de Real Estate do Itaú BBA, a Uber foi um dos destaques do primeiro trimestre, com um contrato superior a 50 mil metros quadrados. Dados da CBRE mostram que a absorção líquida do mercado de escritórios em São Paulo atingiu 292 mil metros quadrados em 2025. A vacância média caiu para 15,9% no primeiro trimestre de 2026, enquanto nos edifícios Triple A o índice chegou a 10,5%.
A disputa por espaços de maior qualidade ampliou a diferença de preços entre a Faria Lima e outras regiões da Zona Sul. Hoje, o aluguel na Faria Lima pode ser até três vezes superior ao praticado em outros polos corporativos. Uma laje de 3 mil metros quadrados pode custar entre R$ 900 mil e R$ 1,2 milhão por mês. Segundo empresas do setor, as revisões de contratos vêm sendo realizadas acima da inflação. A São Carlos, proprietária do EZ Towers, na Chucri Zaidan, informou que a ocupação do empreendimento já alcança 95%.
Enquanto o mercado físico apresenta maior ocupação e preços em alta, os fundos imobiliários de lajes corporativas seguem pressionados pelo ambiente de juros elevados. Especialistas apontam que a recuperação dos ativos listados depende de uma eventual redução da taxa Selic e de uma melhora no mercado de compra e venda de imóveis corporativos.



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