Disparada dos alimentos faz profissionais da Faria Lima trocarem restaurantes por marmitas
Pesquisa mostra que 61% dos brasileiros da classe A passaram a levar refeições preparadas em casa com mais frequência diante da alta dos preços
Foto: Divulgação A disparada dos preços dos alimentos está mudando os hábitos de consumo e levando profissionais da Faria Lima e de outros centros corporativos do país a trocar restaurantes por marmitas. Segundo pesquisa da consultoria Galunion, 61% dos brasileiros da classe A afirmaram que estão levando refeições preparadas em casa com mais frequência. O movimento ocorre em meio à alta da inflação dos alimentos. Em maio, os preços do grupo avançaram 1,33%, mais que o dobro da inflação geral do período, de 0,58%.
Considerando todas as faixas de renda, 58% dos entrevistados apontaram a necessidade de economizar como principal motivo para substituir as refeições em restaurantes pela comida feita em casa. Em regiões empresariais de cidades como São Paulo e Brasília, tornou-se mais comum ver trabalhadores utilizando as copas dos escritórios para aquecer marmitas, enquanto estabelecimentos próximos relatam redução no fluxo de clientes durante o almoço.
Pressão sobre restaurantes
Nos 12 meses encerrados em maio, a alimentação fora do domicílio acumulou alta de 6,2%, acima da inflação oficial de 4,72%, segundo dados do IBGE.
Empresários do setor afirmam que o aumento dos custos obrigou reajustes de preços, ao mesmo tempo em que aplicativos de entrega ampliaram a concorrência com promoções e frete grátis. Segundo a Abrasel, 58% dos bares e restaurantes reajustaram preços em linha ou abaixo da inflação ao longo do último ano. A entidade estima que oito em cada dez estabelecimentos encerram as atividades antes de completar dois anos.
Perspectivas
De acordo com André Valério, economista sênior do Banco Inter, um novo episódio de El Niño pode manter a pressão sobre a produção agrícola e sustentar preços elevados dos alimentos nos próximos meses.
A inflação acumulada em 12 meses permanece acima da meta de 3% desde 2020. Atualmente, o Banco Central mantém a taxa básica de juros em 14,5% ao ano.



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