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Barueri ,17/03/2026

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Brasil no centro da revolução quântica: BRICS colocam o país no calendário global de inovação em 2026

Fórum internacional na Rússia em 2026 e protagonismo da Rosatom consolidam agenda quântica do bloco, com foco em aplicações industriais e cooperação em ciência de ponta.

Fonte: Business S/A
Brasil no centro da revolução quântica: BRICS colocam o país no calendário global de inovação em 2026 Líderes do BRICS se reuniram na 17ª Cúpula, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro | Foto: Alexandre Brum/BRICS Brasil

A tecnologia quântica consolidou-se como um dos eixos centrais da agenda estratégica do BRICS após a Cúpula realizada no Rio de Janeiro, quando os líderes do bloco reconheceram formalmente o tema como prioridade em ciência, tecnologia e inovação para 2025.

Esse movimento acompanha a proclamação de 2025 como Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quântica pelas Nações Unidas, reforçando o alinhamento do grupo com as tendências globais de alta tecnologia e com a disputa por liderança em computação e infraestrutura digital avançada.

Como desdobramento direto dessa orientação política, um Fórum Internacional sobre Tecnologias Quânticas foi incluído no Calendário de Atividades de Ciência, Tecnologia e Inovação do BRICS para 2026, a ser realizado na Rússia. O encontro, que deverá reunir governos, empresas, universidades e startups do bloco, busca estruturar uma plataforma de cooperação para pesquisa, padronização e desenvolvimento de modelos de negócio em computação, comunicações e sensores quânticos, com foco em aplicações industriais e financeiras de alto valor agregado.

A Rússia emerge como um dos principais polos dessa estratégia, com a Rosatom — corporação estatal do setor nuclear — assumindo papel de liderança na construção de um ecossistema quântico nacional integrado.

Desde 2020, a empresa coordena o programa de computação quântica do país, operando múltiplas plataformas tecnológicas e articulando parcerias com centros acadêmicos, empresas industriais e novos empreendimentos de base científica.

A partir de 2026, a Rosatom ampliará suas atribuições para incluir a supervisão do desenvolvimento de sensores quânticos, consolidando uma visão de portfólio que abrange desde pesquisa fundamental até a implementação de soluções em ambientes industriais reais. No setor nuclear, esses sensores são vistos como instrumentos críticos para monitoramento, segurança operacional e otimização de processos, ao mesmo tempo em que abrem oportunidades em áreas como energia, logística, defesa, saúde e cidades inteligentes em países parceiros do BRICS.

No campo da computação quântica, o programa russo já viabilizou o desenvolvimento de diversos processadores e algoritmos, cobrindo plataformas como íons aprisionados, átomos neutros, circuitos supercondutores e fotônica. Pesquisadores russos relatam a criação de máquinas que superam a marca de 50 qubits em diferentes arquiteturas e, mais recentemente, protótipos com dezenas de qubits em sistemas de átomos neutros, enquanto o roteiro tecnológico projeta alcançar um processador da ordem de 300 qubits até 2030.

A meta declarada é transitar de experimentos de prova de conceito para a resolução de problemas reais em áreas como otimização logística, descoberta de novos materiais, desenvolvimento de fármacos e modelagem complexa em engenharia nuclear.

Para o bloco, isso significa potencializar ganhos de competitividade em cadeias estratégicas — da energia e mineração à indústria farmacêutica e às finanças — reduzindo dependências tecnológicas e abrindo espaço para plataformas próprias de serviços quânticos na nuvem e soluções sob demanda para governos e grandes corporações.

​Um componente central da estratégia da Rosatom é a expansão da educação e da formação de mão de obra qualificada em tecnologia quântica, em parceria com universidades e instituições de pesquisa dentro e fora do BRICS.

A companhia defende o acesso “justo e aberto” a tecnologias avançadas e posiciona a cooperação internacional como alavanca para acelerar a maturação do mercado, o que pode favorecer programas conjuntos de pesquisa, laboratórios compartilhados e projetos piloto multinacionais em setores de infraestrutura crítica.

​Do ponto de vista corporativo, a convergência entre agenda política e investimento empresarial cria um ambiente propício para novos modelos de negócios, incluindo consórcios de P&D, fundos focados em deep tech e parcerias público-privadas para implantação de plataformas quânticas em escala.

Para investidores e empresas de tecnologia dos países do BRICS, o Fórum Internacional de Tecnologias Quânticas em 2026 tende a funcionar como vitrine de projetos, ponto de encontro para acordos comerciais e termômetro para mensurar a velocidade com que o bloco pretende transformar capacidade científica em vantagem competitiva global.




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