Seja bem vindo
Barueri ,04/06/2026

  • A +
  • A -

Datafolha aponta avanço da direita na identificação política do eleitorado brasileiro

Levantamento revela maioria alinhada aos polos ideológicos e consolida força de petistas e bolsonaristas na disputa pela opinião pública

Fonte: Business S/A
Datafolha aponta avanço da direita na identificação política do eleitorado brasileiro

A mais recente pesquisa Datafolha confirma o avanço da direita na autodeclaração política do eleitorado brasileiro e reforça a predominância dos polos ideológicos na formação de opinião. Segundo o levantamento, 35% dos entrevistados se dizem de direita, 22% se identificam com a esquerda e 17% se posicionam no centro, enquanto 11% se classificam como centro-direita, 7% como centro-esquerda e 8% não souberam responder. A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 113 municípios, entre 2 e 4 de dezembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Os dados reforçam um ambiente político marcado por forte polarização entre os campos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que se reflete na identificação direta com “bolsonarismo” e “petismo”. Em uma escala de 1 a 5, em que 1 corresponde a bolsonarista e 5 a petista, 34% dos entrevistados se colocam ao lado de Bolsonaro, enquanto 40% se declaram petistas, ao passo que 18% se dizem neutros, 6% não apoiam nenhum dos dois grupos e 1% não soube responder. Na prática, 74% da população se alinham de alguma forma a um desses dois polos, consolidando um cenário de alta competição discursiva e eleitoral.

O recorte por escolaridade mostra que a identificação com a direita é mais intensa entre brasileiros com menor nível de instrução formal. Nesse grupo, 41% se dizem de direita, 26% de esquerda e apenas 8% de centro, indicando que o discurso conservador mantém forte capilaridade entre eleitores de baixa escolaridade. Entre os que concluíram o ensino médio, 21% se declaram de centro, patamar semelhante ao observado entre os que possuem ensino superior, onde 20% se posicionam no centro, sugerindo maior propensão à moderação ou à busca por alternativas fora dos extremos.

A distribuição etária também evidencia diferenças significativas no mapa político do país. Entre jovens de 16 a 24 anos, o centro ganha protagonismo, com 30% se declarando centristas, 26% alinhados à direita e 16% à esquerda, o que indica um segmento disposto a se distanciar dos rótulos tradicionais, embora ainda exposto à disputa entre as narrativas de Lula e Bolsonaro. Já na faixa de 60 anos ou mais, 42% se posicionam à direita, 25% à esquerda e apenas 9% no centro, cenário que reforça a força do conservadorismo entre eleitores mais velhos.

A religião segue como vetor estratégico na segmentação de públicos e na construção de campanhas políticas e de comunicação. Entre católicos, 24% se colocam à esquerda e 36% à direita, enquanto entre evangélicos 16% se dizem de esquerda e 42% de direita, reafirmando a relevância do eleitorado evangélico para agendas de cunho conservador. Esse perfil religioso, aliado ao recorte por idade e escolaridade, oferece insumos valiosos para partidos, candidatos, consultorias e empresas que desenham estratégias de engajamento, reputação e posicionamento em um ambiente político sensível.

Um dado comercialmente relevante para análise de comportamento de consumo e de marketing político é a dissociação parcial entre identidade ideológica e comportamento eleitoral recente. Entre os entrevistados que se declaram de esquerda, 9% afirmam ter votado em Jair Bolsonaro em 2022, enquanto 22% dos que se dizem de direita declararam voto em Lula, revelando um eleitorado mais pragmático do que o discurso polarizado sugere. No grupo de bolsonaristas, 5% afirmaram ter votado em Lula, e entre os petistas, 7% dizem ter escolhido Bolsonaro na última eleição presidencial, o que demonstra sobreposições e nuances importantes na base de apoio de ambos os líderes.

Esses resultados reposicionam o Brasil como um mercado político em que a identidade ideológica se consolida em torno de marcas políticas fortes, com impacto direto na economia da influência, na comunicação digital e na relação entre empresas, instituições e público. A predominância dos polos, combinada com um centro ainda significativo entre jovens e segmentos com maior escolaridade, abre espaço para disputas narrativas mais sofisticadas, tanto em campanhas eleitorais quanto em estratégias corporativas que buscam dialogar com públicos distintos sem comprometer reputação institucional.





COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.