Datafolha aponta avanço da direita na identificação política do eleitorado brasileiro
Levantamento revela maioria alinhada aos polos ideológicos e consolida força de petistas e bolsonaristas na disputa pela opinião pública
A mais recente pesquisa Datafolha confirma o avanço da direita na autodeclaração política do eleitorado brasileiro e reforça a predominância dos polos ideológicos na formação de opinião. Segundo o levantamento, 35% dos entrevistados se dizem de direita, 22% se identificam com a esquerda e 17% se posicionam no centro, enquanto 11% se classificam como centro-direita, 7% como centro-esquerda e 8% não souberam responder. A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 113 municípios, entre 2 e 4 de dezembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Os dados reforçam um ambiente político marcado por forte polarização entre os campos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que se reflete na identificação direta com “bolsonarismo” e “petismo”. Em uma escala de 1 a 5, em que 1 corresponde a bolsonarista e 5 a petista, 34% dos entrevistados se colocam ao lado de Bolsonaro, enquanto 40% se declaram petistas, ao passo que 18% se dizem neutros, 6% não apoiam nenhum dos dois grupos e 1% não soube responder. Na prática, 74% da população se alinham de alguma forma a um desses dois polos, consolidando um cenário de alta competição discursiva e eleitoral.
O recorte por escolaridade mostra que a identificação com a direita é mais intensa entre brasileiros com menor nível de instrução formal. Nesse grupo, 41% se dizem de direita, 26% de esquerda e apenas 8% de centro, indicando que o discurso conservador mantém forte capilaridade entre eleitores de baixa escolaridade. Entre os que concluíram o ensino médio, 21% se declaram de centro, patamar semelhante ao observado entre os que possuem ensino superior, onde 20% se posicionam no centro, sugerindo maior propensão à moderação ou à busca por alternativas fora dos extremos.
A distribuição etária também evidencia diferenças significativas no mapa político do país. Entre jovens de 16 a 24 anos, o centro ganha protagonismo, com 30% se declarando centristas, 26% alinhados à direita e 16% à esquerda, o que indica um segmento disposto a se distanciar dos rótulos tradicionais, embora ainda exposto à disputa entre as narrativas de Lula e Bolsonaro. Já na faixa de 60 anos ou mais, 42% se posicionam à direita, 25% à esquerda e apenas 9% no centro, cenário que reforça a força do conservadorismo entre eleitores mais velhos.
A religião segue como vetor estratégico na segmentação de públicos e na construção de campanhas políticas e de comunicação. Entre católicos, 24% se colocam à esquerda e 36% à direita, enquanto entre evangélicos 16% se dizem de esquerda e 42% de direita, reafirmando a relevância do eleitorado evangélico para agendas de cunho conservador. Esse perfil religioso, aliado ao recorte por idade e escolaridade, oferece insumos valiosos para partidos, candidatos, consultorias e empresas que desenham estratégias de engajamento, reputação e posicionamento em um ambiente político sensível.
Um dado comercialmente relevante para análise de comportamento de consumo e de marketing político é a dissociação parcial entre identidade ideológica e comportamento eleitoral recente. Entre os entrevistados que se declaram de esquerda, 9% afirmam ter votado em Jair Bolsonaro em 2022, enquanto 22% dos que se dizem de direita declararam voto em Lula, revelando um eleitorado mais pragmático do que o discurso polarizado sugere. No grupo de bolsonaristas, 5% afirmaram ter votado em Lula, e entre os petistas, 7% dizem ter escolhido Bolsonaro na última eleição presidencial, o que demonstra sobreposições e nuances importantes na base de apoio de ambos os líderes.
Esses resultados reposicionam o Brasil como um mercado político em que a identidade ideológica se consolida em torno de marcas políticas fortes, com impacto direto na economia da influência, na comunicação digital e na relação entre empresas, instituições e público. A predominância dos polos, combinada com um centro ainda significativo entre jovens e segmentos com maior escolaridade, abre espaço para disputas narrativas mais sofisticadas, tanto em campanhas eleitorais quanto em estratégias corporativas que buscam dialogar com públicos distintos sem comprometer reputação institucional.



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