Inflação acelera a 0,88% em março e supera projeções com pressão dos combustíveis
IPCA acumula 4,14% em 12 meses e segue dentro da meta; gasolina lidera impacto no mês
Foto: zhaojiankang/Adobe Stock A inflação oficial do Brasil acelerou para 0,88% em março, acima das projeções do mercado, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado supera a expectativa de 0,7% para o mês. No acumulado de 12 meses, o IPCA chega a 4,14%. Apesar da alta, o indicador permanece dentro da faixa de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% com limite de até 4,5%.
O principal vetor de pressão veio do grupo Transportes, que avançou 1,64% no mês. O resultado foi impulsionado pela alta dos combustíveis, que subiram 4,47%. A gasolina teve o maior impacto individual no índice, com alta de 4,59% e contribuição de 0,23 ponto percentual no IPCA. O óleo diesel também registrou avanço relevante, de 13,90%, enquanto o etanol subiu 0,93%. O gás veicular apresentou queda de 0,98%.
Segundo o IBGE, fatores externos influenciaram o resultado, incluindo restrições no mercado internacional de petróleo. Reajustes recentes nos preços praticados no Brasil também contribuíram para a pressão inflacionária. Sem a alta da gasolina, o IPCA de março teria sido de 0,68%. Ao desconsiderar todos os combustíveis, a inflação cairia para 0,64%.
O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 1,56%, com impacto relevante no índice. Os alimentos consumidos em casa subiram 1,94%. Entre os produtos com maior alta estão tomate (20,31%), cebola (17,25%) e batata-inglesa (12,17%). Por outro lado, itens como maçã (-5,79%) e café moído (-1,28%) registraram queda.
Despesas pessoais avançaram 0,65%, influenciadas pela alta de 3,95% nos ingressos para cinema, teatro e concertos. Saúde e cuidados pessoais subiram 0,42%, com destaque para planos de saúde (0,49%). No setor de transportes, passagens aéreas continuam em alta, com avanço de 6,08% em março, embora em ritmo menor que fevereiro. Tarifas de ônibus urbano subiram 1,17%, refletindo reajustes em cidades e mudanças em políticas de desconto.
A meta de inflação passou a ser contínua, com acompanhamento mensal baseado no acumulado em 12 meses. Mesmo com o resultado acima do esperado, o índice segue dentro do intervalo definido. Diante da pressão dos combustíveis, o governo federal anunciou medidas para conter a alta de preços, com custo estimado em R$ 30,5 bilhões.C



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