Vacina da gripe reduz em até 20% risco de morte após AVC, aponta estudo do Einstein
Pesquisa indica benefício de dose dupla ainda no hospital para pacientes de alto risco
Foto: Divulgação A aplicação de duas doses da vacina contra a gripe ainda durante a internação hospitalar pode reduzir em até 20% o risco de morte e novas hospitalizações em pacientes que tiveram Acidente Vascular Cerebral (AVC), segundo estudo do Hospital Israelita Albert Einstein.
A pesquisa foi conduzida no âmbito do Proadi-SUS, programa do Ministério da Saúde em parceria com hospitais filantrópicos, e publicada na revista científica International Journal of Stroke. Os resultados indicam que a estratégia é eficaz para pacientes de alto risco, especialmente aqueles com histórico de AVC, infarto, diabetes ou doenças cardíacas. A análise mostra que a imunização precoce pode reduzir complicações cardiovasculares e cardiorrespiratórias associadas ao vírus Influenza.
O estudo acompanhou 1.801 pacientes entre 2019 e 2022 em diferentes regiões do país. Entre os 67 participantes com histórico de AVC, aqueles que receberam duas doses da vacina ainda no hospital apresentaram menor número de mortes e reinternações em comparação aos que receberam apenas uma dose cerca de 30 dias após a alta. Todos os pacientes foram monitorados por 12 meses. Entre os indivíduos sem histórico de AVC, não houve diferença relevante entre as estratégias de vacinação.
Segundo os pesquisadores, a gripe pode desencadear processos inflamatórios que aumentam o risco de formação de coágulos, elevando a probabilidade de eventos como infarto e derrame, principalmente em pacientes com condições pré-existentes. Dados complementares de estudo europeu indicam que, após infecção por Influenza, o risco de internação pode triplicar para AVC e quintuplicar para infarto na semana seguinte. Entre vacinados, esse aumento foi reduzido pela metade.
A estratégia de vacinação com dose dupla se mostrou segura durante a internação. Os pesquisadores apontam que novos estudos devem avaliar o uso de vacinas de maior concentração em grupos de maior risco, incluindo idosos, no sistema público de saúde.



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