Alta do combustível pressiona aviação e pode elevar passagens aéreas em até 20% no Brasil
Reajuste superior a 50% no querosene de aviação aumenta custos das companhias e acende alerta no setor
Aeroporto de Congonhas, em São Paulo — Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo O preço das passagens aéreas no Brasil pode subir entre 10% e 20% após o reajuste no querosene de aviação (QAV), principal insumo do setor. A estimativa é de especialistas ouvidos pelo g1, diante do aumento superior a 50% anunciado pela Petrobras para o combustível vendido às distribuidoras a partir de abril.
O reajuste acompanha a valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela escalada de tensões no Oriente Médio. Desde o início do conflito, o barril passou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115, elevando diretamente os custos operacionais das companhias aéreas. Segundo Andre Castelini, sócio da Bain & Company, os gastos para transportar passageiros por quilômetro podem subir aproximadamente 20%. O querosene representa quase metade das despesas das empresas, o que amplia o impacto sobre a operação.
Ainda não há definição sobre o ritmo de repasse ao consumidor. As companhias avaliam fatores como ocupação dos voos e demanda antes de ajustar tarifas. A possibilidade de redução de rotas menos rentáveis também é considerada, diante da pressão de custos. Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, projeta que o aumento médio das passagens deve ficar próximo de 15%. Segundo ele, a elevação tende a reduzir a demanda em magnitude semelhante, especialmente em viagens de lazer, mais sensíveis a preço.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirma que o novo reajuste pode gerar impactos relevantes no setor. Com a alta, o combustível passa a representar cerca de 45% dos custos operacionais, ante pouco mais de 30% anteriormente. A entidade aponta que o cenário pode afetar a abertura de novas rotas e reduzir a oferta de voos, com reflexos na conectividade aérea do país.
Para mitigar os efeitos, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento. Em abril, as distribuidoras pagarão um reajuste equivalente a 18%, enquanto a diferença será diluída em seis parcelas a partir de julho. No governo, medidas estão em análise para conter o impacto. Entre as propostas estão a redução temporária de tributos sobre o QAV, diminuição do IOF em operações financeiras e ajustes no imposto de renda sobre leasing de aeronaves.
A equipe econômica informou que monitora o cenário internacional e avalia eventuais ações conforme os desdobramentos do mercado de energia.



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