Academia ou museu? Physical Culture troca anilhas por esculturas clássicas e deixa público treinar com a arte
Physical Culture, do artista lituano Augustas Serapinas, transforma aparelhos de musculação em instalação interativa ao substituir pesos tradicionais por réplicas de esculturas greco-romanas
Fotos: Reprodução/Redes Sociais Imagine entrar em uma academia e encontrar bustos e esculturas clássicas no lugar das anilhas. Essa é a proposta de Physical Culture, instalação do artista lituano Augustas Serapinas que transforma equipamentos de musculação em obras interativas e permite que o público toque, movimente e treine com as peças. Os aparelhos são funcionais, mas os pesos convencionais dão lugar a réplicas inspiradas em esculturas clássicas, neoclássicas e greco-romanas. Rostos, torsos e fragmentos corporais passam a fazer parte de polias, supinos e outras estações, criando um ambiente que mistura academia, galeria de arte e performance.
A experiência também inverte uma das regras mais conhecidas dos museus: não tocar nas obras. Em Physical Culture, a interação física faz parte do projeto. O visitante pode segurar as esculturas, movimentá-las e utilizar os equipamentos enquanto outras pessoas desenham os corpos em movimento em pranchetas e cavaletes posicionados no espaço. ,A proposta aproxima dois universos que, segundo o conceito do trabalho, compartilham disciplina, repetição e busca por determinados padrões corporais. As referências à escultura grega e romana dialogam com a atual cultura das academias e com a construção de ideais de beleza por meio do exercício físico.

Fotos: Reprodução/Redes Sociais
Segundo as informações apresentadas sobre o projeto, Physical Culture já teve versões exibidas em circuitos internacionais de arte e foi apresentada no Nottingham Contemporary, no Reino Unido. Uma versão em maior escala também foi associada à inauguração de um centro esportivo multifuncional em Gargždai, na Lituânia. A instalação ganhou circulação nas redes sociais entre julho e agosto de 2026, especialmente pela combinação pouco usual entre fitness e arte. No espaço, até a atmosfera tradicional dos museus muda: música eletrônica e disco substitui o silêncio de uma galeria enquanto os visitantes utilizam as peças como equipamentos de treino.
Mais do que transformar esculturas em pesos, Physical Culture recupera uma conexão histórica entre corpo e conhecimento. O conceito remete ao antigo ginásio grego, concebido não apenas como espaço de atividade física, mas também de formação intelectual e convivência.



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