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Barueri ,10/08/2026

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IA esgota produção global de memória para 2027 e ameaça encarecer PCs e notebooks até 2028

Samsung, SK hynix e Micron já comprometeram toda a capacidade de DRAM e HBM do próximo ano; setor estima oferta suficiente para apenas 60% a 70% da demanda projetada

Fonte: Business S/A
IA esgota produção global de memória para 2027 e ameaça encarecer PCs e notebooks até 2028 Fotos: Divulgação

A corrida por infraestrutura de inteligência artificial está levando a indústria de memória a um novo nível de escassez. Samsung, SK hynix e Micron, as três maiores fabricantes do setor, já comprometeram toda a capacidade de produção de DRAM e HBM prevista para 2027, segundo fontes ouvidas pelo DigiTimes.

Na prática, empresas que não garantiram contratos antecipadamente poderão enfrentar dificuldades para conseguir novos lotes no próximo ano.

Estimativas do setor indicam que a produção prevista para 2027 será suficiente para atender apenas 60% a 70% da demanda global projetada. Uma normalização mais significativa é esperada somente a partir de 2028, com a entrada de novas capacidades industriais.

O movimento tem uma causa central: a inteligência artificial passou a disputar diretamente a produção de memória com smartphones, notebooks, desktops e outros eletrônicos consumidos em larga escala.

IA absorve 70% da produção de DRAM

Cerca de 70% da capacidade mundial de DRAM estaria sendo direcionada a servidores de IA e memórias HBM, utilizadas em aceleradores de alto desempenho, como os produzidos por NVIDIA e AMD.

Isso deixa aproximadamente 30% da produção para equipamentos destinados ao consumidor final.

A preferência das fabricantes também possui uma explicação econômica. Um gigabyte de HBM pode consumir até quatro vezes mais silício que a mesma quantidade de DRAM convencional, mas também proporciona margens de lucro significativamente superiores.

Com data centers disputando grandes volumes e dispostos a fechar contratos de vários anos, fabricantes passaram a priorizar esse mercado.

Contratos de até cinco anos mudam a indústria

A escassez também está alterando a forma como memória é negociada.

Samsung, SK hynix e Micron passaram a trabalhar cada vez mais com acordos de longo prazo, conhecidos como LTAs, que podem durar de três a cinco anos e incluir pagamentos antecipados para garantir espaço nas linhas de produção.

A Micron já teria fechado contratos quinquenais com 16 empresas. A Samsung, por sua vez, confirmou acordos com as cinco maiores operadoras de data centers do mundo e estaria próxima de fechar com outras cinco.

Esse modelo reduz drasticamente o volume disponível no chamado mercado spot, onde empresas tradicionalmente compravam componentes conforme a necessidade.

Para fabricantes menores de computadores, placas-mãe e outros dispositivos, isso significa menos flexibilidade e custos potencialmente maiores.

Memória já subiu mais de 400%

Os efeitos começam a aparecer nos preços.

Um kit de 32 GB DDR5, que custava cerca de US$ 80 no ano passado, chegou a aproximadamente US$ 439 em junho de 2026, aumento superior a 400%.

Segundo dados citados pela HP, memória já pode representar até 35% do custo total dos componentes de um computador.

O impacto começou a chegar também aos notebooks. Modelos intermediários que custavam aproximadamente US$ 900 passaram da faixa de US$ 1.200, em meio aos repasses promovidos por fabricantes como Dell, Lenovo, Acer e Asus.

Novas altas são esperadas

Relatório da Jefferies Equity Research projeta que os preços de memória RAM poderão avançar entre 40% e 50% no terceiro trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores.

Para o fim do ano, outro aumento de 30% a 40% é esperado.

Em 2027, a previsão citada aponta para uma alta anual entre 40% e 45%, sem perspectiva clara de normalização antes de 2028.

O problema também pode atingir outras peças. Placas de vídeo possuem previsão de reajustes de até 40%, enquanto placas-mãe e outros semicondutores entram na mesma cadeia de pressão.

Brasil pode sentir impacto maior

Para o consumidor brasileiro, o efeito pode ser ainda mais intenso.

Além do aumento internacional dos componentes, computadores, placas de vídeo e peças importadas também estão sujeitos às oscilações cambiais e à carga tributária brasileira.

Isso significa que os percentuais de alta observados no exterior não necessariamente serão reproduzidos na mesma proporção no país — e podem chegar ao consumidor final de maneira ainda mais acentuada.

O cenário afeta desde quem pretende montar um computador de alto desempenho até consumidores planejando trocar de notebook ou ampliar a memória de uma máquina existente.

Escassez pode seguir até 2028

A expectativa é de que novas fábricas comecem a aliviar o desequilíbrio entre oferta e demanda somente em 2028.

A Samsung já indicou que a escassez pode se intensificar durante 2027 e permanecer no mercado no ano seguinte.

Até lá, a indústria tende a ficar dividida entre grandes compradores que garantiram fornecimento por contratos plurianuais e empresas menores obrigadas a disputar os poucos volumes disponíveis.

A diferença em relação aos ciclos anteriores está na origem da demanda. Em vez de uma alta temporária provocada apenas pelo mercado consumidor, data centers e laboratórios de IA criaram uma demanda estrutural por memória de alta performance.




































Se esse movimento continuar, PCs, notebooks e outros eletrônicos poderão conviver com componentes mais caros e oferta restrita por boa parte dos próximos dois anos.




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