Energia limpa pode adicionar até 1,5 ponto ao PIB do Brasil, aponta estudo da LSE
Estudo da London School of Economics indica que a transição energética pode ampliar investimentos, fortalecer a indústria e acelerar o crescimento da economia brasileira
Montagem Revista Business A energia limpa pode elevar entre 1 e 1,5 ponto percentual o crescimento anual do PIB do Brasil no médio prazo, segundo estudo publicado pelo Instituto de Clima e Sociedade (iCS) e pelo Centre for Economic Transition Expertise (CETEx), da London School of Economics and Political Science (LSE). A pesquisa aponta que a reorganização da economia global cria uma oportunidade para o país atrair investimentos ligados à transição energética. Os investimentos globais destinados à economia de baixo carbono ultrapassaram US$ 4 trilhões em 2024 e podem atingir US$ 5,6 trilhões por ano entre 2025 e 2030. Parte desses recursos deverá financiar setores como siderurgia, indústria química e fertilizantes, intensivos em energia e comércio internacional.
Segundo o estudo, o Brasil reúne condições competitivas para receber parte desse capital por contar com uma matriz elétrica composta por aproximadamente 90% de fontes renováveis. Atualmente, 56% da geração é hidrelétrica e 23% vem das fontes eólica e solar.
"O mundo está saindo de uma era em que a energia era transportada para a indústria para uma em que a indústria buscará cada vez mais a energia limpa", afirmou Jorge Arbache, professor da Universidade de Brasília, membro sênior do iCS e um dos autores do relatório.
O levantamento destaca que a competitividade brasileira também aparece no custo da geração elétrica. O custo nivelado da energia eólica terrestre é de US$ 33,6 por MWh no Brasil, enquanto a geração solar em larga escala apresenta custo de US$ 46 por MWh, valores inferiores aos observados em países como Bélgica e Japão.
Impactos econômicos
O relatório afirma que a combinação entre energia renovável, minerais críticos, produção de biocombustíveis e segurança alimentar coloca o Brasil em posição estratégica na reorganização das cadeias globais de produção. Segundo os pesquisadores, mesmo uma participação limitada nesse fluxo internacional de investimentos pode ampliar a produtividade, fortalecer a indústria e aumentar a competitividade do país. O estudo também projeta ganhos para o Nordeste, considerado uma das regiões mais promissoras para projetos de "powershoring", estratégia que aproxima unidades industriais de regiões com energia limpa abundante. Em um cenário intermediário, a região poderia receber cerca de US$ 30 bilhões em investimentos até 2035, gerar aproximadamente US$ 5,25 bilhões por ano em atividade econômica adicional e criar entre 300 mil e 350 mil empregos.
Desafios para financiar a transição
Os pesquisadores alertam que o potencial depende da ampliação dos investimentos em infraestrutura e da criação de mecanismos capazes de mobilizar capital privado. Entre as recomendações estão o fortalecimento do Fundo Clima, do programa Eco Invest Brasil, revisões periódicas dos gastos públicos e a criação de um fundo soberano financiado com parte das receitas da exploração de petróleo e gás para apoiar projetos de baixo carbono.
Segundo Luiz Awazu Pereira da Silva, professor visitante do CETEx e principal autor do estudo, o país vive uma oportunidade histórica. "A questão é se o país conseguirá converter suas vantagens estruturais em investimentos sustentáveis, crescimento da produtividade e desenvolvimento econômico."



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