Taxa de condomínio no Brasil sobe 25% e chega a R$ 516 em 2025
Estudo aponta pressão de custos em serviços essenciais, disparidades regionais e cortes de despesas no Norte para conter inadimplência.
Foto: Reprodução/web O valor médio da taxa de condomínio no Brasil atingiu R$ 516 no primeiro semestre de 2025, após uma alta acumulada de aproximadamente 25% desde o início de 2022, de acordo com o Censo Condominial 2025/2026, produzido pela plataforma de gestão uCondo com base em dados próprios e de órgãos oficiais.
O estudo mostra que o boleto condominial passou de R$ 413 para R$ 516 em três anos, evidenciando um encarecimento consistente da moradia em edifícios residenciais no país.
A elevação não ocorreu de forma abrupta, mas em trajetória contínua, acompanhando a pressão inflacionária sobre serviços intensivos em mão de obra, como limpeza, portaria, vigilância e manutenção predial. De acordo com o levantamento, esses itens representam a maior parte das despesas recorrentes dos condomínios, pressionando os orçamentos e exigindo recomposição periódica das taxas aprovadas em assembleia. Em muitos empreendimentos, a profissionalização da gestão e a contratação de empresas terceirizadas também contribuíram para o aumento do ticket médio.
O mapa regional revela contrastes relevantes para o mercado. A região Sul encerrou o primeiro semestre de 2025 com o boleto médio mais caro do país, em torno de R$ 537, consolidando-se como a praça de maior custo condominial, enquanto o Sudeste registrou a maior alta percentual do período, de 30,6%, alcançando cerca de R$ 516,84. Nordeste e Centro-Oeste também apresentaram avanço expressivo, com médias aproximadas de R$ 522,30 e R$ 514,51, respectivamente, o que indica um encarecimento generalizado da vida em condomínio nas principais capitais e polos urbanos.
Na contramão da tendência nacional de alta, a região Norte foi a única a registrar queda na taxa condominial média, com recuo de 17,1% e valor em torno de R$ 429,21 no período analisado. Especialistas ouvidos no estudo associam esse movimento a estratégias de contenção de custos, como cortes de serviços, renegociação de contratos e revisão de estruturas de portaria e segurança, em um esforço para evitar o avanço da inadimplência entre os moradores. A leitura predominante é de que a redução não indica alívio estrutural, mas ajuste forçado diante da fragilidade financeira de muitas famílias.
Em paralelo à alta das taxas, a inadimplência condominial alcançou patamares históricos, aproximando-se de 12% nas dívidas superiores a 30 dias no primeiro semestre de 2025, o maior nível desde 2022. Regiões Norte e Nordeste concentram os índices mais elevados, o que amplia o risco de desequilíbrio de caixa e obriga síndicos e administradoras a reforçarem políticas de cobrança, transparência na prestação de contas e uso de tecnologia para controle financeiro. Para o mercado de gestão condominial, esse cenário abre espaço para soluções digitais, automação de processos e serviços especializados, ao mesmo tempo em que pressiona os moradores com um custo fixo cada vez mais relevante no orçamento doméstico.
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