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Barueri ,13/08/2026

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"O Brasil de Tarsila" abre Nubank Art Lab com 70 obras recriadas em experiência imersiva

Mostra no Conjunto Nacional celebra os 140 anos de Tarsila do Amaral em 14 ambientes; projeto levou dois anos, envolveu mais de 100 profissionais e abre ao público em 15 de agosto

Fonte: Forbes Life
Renderização de como será a exposição “O Brasil de Tarsila”. Foto: Divulgação

O Brasil de Tarsila abre ao público em 15 de agosto no Nubank Art Lab, novo espaço instalado no Conjunto Nacional, em São Paulo. A exposição celebra os 140 anos de nascimento de Tarsila do Amaral com 70 reproduções de obras, desenhos, fotografias e documentos distribuídos por 14 ambientes imersivos.

O projeto levou dois anos para ser desenvolvido e mobilizou mais de 100 profissionais entre pesquisadores, cenógrafos, artistas digitais, equipes de montagem, vídeo e conteúdo. As informações e declarações sobre os bastidores da mostra foram reveladas originalmente em reportagem da Forbes, que teve acesso exclusivo ao projeto antes da abertura ao público. Diferentemente de uma exposição convencional, O Brasil de Tarsila não apresenta pinturas originais. As obras aparecem em reproduções de alta qualidade impressas em tecidos, estruturas cenográficas, instalações, projeções e experiências interativas.

A decisão de trabalhar com reproduções está ligada à proposta de permitir que a experiência seja levada posteriormente a outras regiões do país. Paola Montenegro, curadora da mostra e responsável desde 2023 pela liderança da TALE, empresa que administra o legado da artista, explicou à Forbes que os custos envolvidos no transporte e na exposição de originais limitam a circulação de mostras tradicionais.

“Uma das nossas grandes missões é conseguir, de fato, levar a Tarsila para o Brasil todo. E a gente sabe que exposições tradicionais são muito caras de serem feitas. A apólice de só uma obra dela ronda meio milhão de reais”, afirmou Paola à Forbes.

Tarsila além das obras mais conhecidas

O percurso apresenta diferentes momentos da trajetória pessoal e artística de Tarsila do Amaral. A exposição aborda viagens, relações pessoais, religiosidade, perdas e períodos de transformação na carreira da modernista. Logo nos primeiros ambientes, o visitante encontra obras apresentadas em relicários e uma sala de espelhos dedicada à relação de Tarsila com a fé. O espaço inclui referências à proximidade da artista com Chico Xavier e apresenta uma reprodução de Altar (Reza), obra desaparecida há anos e vista pela última vez em um catálogo publicado em 2008.

“A exposição imersiva tem esse outro papel democratizador de poder apresentar uma obra que nunca foi vista”, afirmou Paola.


Sala “Roteiros de Viagem” apresenta trajetos que tiveram papel importante na formação do repertório artístico e cultural de Tarsila do Amaral. Foto: Divulgação

A tecnologia foi utilizada para criar formas diferentes de contato com as imagens. Em vez de concentrar a experiência apenas em projeções, a montagem incorpora sons, aromas, texturas, objetos e estruturas que exigem a participação do visitante. Na Floresta Tarsiliana, por exemplo, o ambiente remete à infância da pintora por meio de estímulos sonoros, olfativos e táteis. Já a sala Roteiro de Viagem recria a atmosfera de vagões ferroviários.Seis cabines representam viagens importantes realizadas pela artista. Nas janelas, animações apresentam desenhos associados aos destinos, enquanto fotografias e documentos complementam o percurso. Segundo a curadora, a intenção é aproximar a artista de públicos mais jovens por meio de linguagens já presentes no cotidiano dessas gerações.

“A ideia com essa exposição é fazer com que as pessoas, de fato, entrem nas obras dela e entendam um pouco do que passava na cabeça da Tarsila quando ela as fez”, explicou Paola à Forbes. “Não existe modo melhor de apresentar alguma coisa de Tarsila do que um jeito que as pessoas possam interagir e guardar isso para o resto da vida.”

Operários exige que visitante “bata o ponto”

Uma das obras mais conhecidas de Tarsila recebeu uma instalação própria. Na área dedicada a Operários, o visitante precisa interagir com uma estrutura que simula a lógica do trabalho industrial. Para visualizar os rostos presentes na obra, é necessário “bater o ponto” e movimentar uma manivela.

“A gente quis passar a ideia de que, para você ver os operários, você precisa trabalhar”, disse Paola.


Na instalação inspirada em Operários, o público precisa acionar uma manivela para visualizar os personagens da obra. Foto: Divulgação

Outro ambiente parte de Figura Só, pintura de 1930 associada a um período de ruptura na trajetória da artista, produzido pouco depois da separação de Tarsila e Oswald de Andrade. Na instalação chamada Travessia, o público atravessa um corredor enquanto enfrenta a força de um ventilador. A cenografia foi criada para representar o período vivido pela artista naquele momento.

Abaporu ganha versão gigante

O Abaporu também ocupa posição central no percurso. Uma reprodução monumental foi construída para permitir que o público circule ao redor da figura e tenha contato com elementos ligados ao Manifesto Antropófago. A instalação foi desenvolvida para funcionar simultaneamente como espaço educativo, cenográfico e de interação. Paola afirmou à Forbes que a proposta não pretende substituir o contato com o quadro original, atualmente pertencente ao Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, o Malba.

“Sabemos que a pessoa ver ali um Abaporu gigante não é a mesma coisa que olhar o Abaporu no Malba. Mas para quem não tem condições de ir para a Argentina, a pessoa vai poder sentar no pé dele com a gente”, explicou.

Antropofagia encerra percurso com vídeo de oito minutos

A parte final de O Brasil de Tarsila é dedicada a Antropofagia. O ambiente apresenta um vídeo de oito minutos criado a partir de 25 obras da artista. A produção envolveu 32 artistas, que trabalharam manualmente na expansão e transformação das imagens para construir novas paisagens baseadas no repertório visual da modernista. Obras como Carnaval em Madureira e Morro da Favela são ampliadas digitalmente até formar cenários que não aparecem integralmente nas pinturas originais. O objetivo é criar um universo visual contínuo a partir das cores, formas e personagens associados à produção de Tarsila. O percurso termina no que a equipe responsável pela exposição chama de nascimento do “Brasil de Tarsila”, resultado da transformação gradual das imagens ao longo da projeção.

Além de Abaporu, Operários e Antropofagia, a exposição inclui referências a trabalhos menos acessíveis ao público. Entre eles está Sol Poente, que segundo as informações apresentadas sobre a mostra não é visto há mais de dez anos, e Terra, de 1943, pertencente a uma fase posterior da produção de Tarsila. Terra ganhou uma reprodução tátil e monumental instalada em um ambiente que utiliza aromas áridos como parte da experiência. A seleção busca apresentar diferentes períodos da carreira da artista, incluindo trabalhos que fogem da estética mais imediatamente associada à fase antropofágica.

“Estamos tentando aproximar a Tarsila de um público mais novo”, afirmou Paola à Forbes.

140 anos de Tarsila do Amaral

A abertura do Nubank Art Lab integra a programação criada em torno dos 140 anos de nascimento de Tarsila do Amaral. Ao longo de 2026, a artista também recebeu uma exposição no Centro Cultural do Tribunal de Contas da União, em Brasília, além de uma turnê teatral estrelada por Claudia Raia. Segundo Paola Montenegro adiantou à Forbes, um filme inédito sobre Tarsila está previsto para setembro. Uma nova exposição com obras originais também está planejada para o fim do ano em São Paulo, mas o local ainda não foi divulgado.


Paola Montenegro é curadora de "O Brasil de Tarsila" e lidera a empresa responsável pela administração do legado da artista. Foto: Divulgação

Depois da temporada paulistana, a proposta é que O Brasil de Tarsila possa circular por outras regiões. A possibilidade de deslocamento foi considerada desde a concepção da exposição e está diretamente ligada ao uso de reproduções no lugar das obras originais. O formato permite remontar os ambientes sem os custos de seguro, transporte e conservação associados a pinturas avaliadas em valores elevados, ampliando a possibilidade de levar o projeto a cidades que normalmente ficam fora do circuito das grandes exposições de arte.


O Brasil de Tarsila

Abertura: 15 de agosto de 2026
Local: Nubank Art Lab
Endereço: Conjunto Nacional, São Paulo
Acervo apresentado: 70 reproduções entre obras, desenhos, fotografias e documentos

Fonte: reportagem exclusiva publicada pela Forbes, com entrevistas e acesso aos bastidores da exposição.




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