Bancos privados fecham 2,3 mil agências em 2025 enquanto despesas seguem em alta
Bancos privados reduzem rede física, mas mantêm pressão sobre custos operacionais
Foto: Reprodução Os três principais bancos privados do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander fecharam 2.334 agências e postos de atendimento ao longo de 2025. O movimento reflete a estratégia de redução do atendimento físico diante do avanço dos canais digitais. As informações são do portal Valor Investe.
O Bradesco liderou o fechamento, com 1.356 unidades a menos no ano, uma queda de 28,2%, encerrando dezembro com 3.450 pontos. O Santander reduziu 579 unidades, queda de 25,6%, e terminou o período com 1.685 pontos. O Itaú fechou 399 unidades, redução de 13,6%, ficando com 2.529 pontos.
Segundo o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, a estratégia faz parte da transformação operacional do banco. “A gente continua investindo em uma transformação para criar um funcionamento mais competitivo, fazendo ajuste do footprint e reduzindo o custo de servir no varejo digital”, afirmou o executivo ao Valor Investe.
No Santander, o CEO Mario Leão também relacionou o fechamento de agências ao comportamento dos clientes. “Os clientes estão indo menos às lojas e estamos respondendo com menos pontos físicos, mas melhores lojas”, disse ao Valor Investe.
O movimento ocorre em paralelo à migração de clientes de baixa renda para plataformas digitais. No Itaú, 15 milhões de clientes foram transferidos para o superapp dentro da estratégia “one Itaú”, conforme explicou o CEO Milto Maluhy Filho em entrevista ao Valor Investe. No Bradesco, o modelo digital já atende 19 milhões de clientes.
Apesar da redução do número de agências, as despesas operacionais seguiram em alta. No Bradesco, os gastos totais cresceram 8,5% em 2025, para R$ 64,35 bilhões, impulsionados principalmente por despesas com pessoal. No Itaú, as despesas avançaram 7,5%, com forte aumento nos investimentos em tecnologia.
O Santander foi a exceção, com queda de 0,8% nas despesas totais no ano, para R$ 26,04 bilhões, mesmo com aumento dos gastos em tecnologia, segundo dados divulgados ao Valor Investe.
Para 2026, os bancos indicam que os investimentos em tecnologia seguirão como prioridade, sem perspectiva de redução relevante de despesas no curto prazo.
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