Anvisa suspende glitters e folhas de ouro Morello por conterem plásticos em alimentos
Resolução proíbe fabricação e venda de produtos da 3JG após análises detectarem polímeros não autorizados, com recolhimento obrigatório do mercado
Foto: Reprodução/web A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a suspensão imediata da fabricação, venda, propaganda e uso de glitters e folhas de ouro para decoração culinária da marca Morello. A medida ocorre após análises identificarem presença de polímeros plásticos, substâncias não autorizadas para contato com alimentos. A decisão, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (16), por meio da Resolução-RE nº 156, afeta todos os lotes dos produtos fabricados pela 3JG Indústria e Comércio de Artigos para Confeitagem Ltda.
Os itens suspensos incluem a Folha de Ouro para Decoração e o Pó/Brilho (glitter) para Decoração, em todas as cores. Esses produtos eram comercializados em plataformas de e-commerce e divulgados em redes sociais como ingredientes seguros para bolos, doces e outras preparações alimentícias. A Anvisa considerou a indicação explícita de uso culinário, o que viola o Decreto-Lei nº 986/1969, que regula normas sanitárias para alimentos e proíbe plásticos ingeríveis.
A resolução, assinada pela Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da Anvisa, exige recolhimento imediato de todos os lotes do mercado. Estabelecimentos comerciais, confeitarias e consumidores devem interromper o uso e descartar ou devolver os itens. A agência alerta que apenas produtos com autorização específica podem ser aplicados em alimentos, diferentemente desses glitters com composição plástica.
O setor de confeitaria enfrenta agora ajustes operacionais. Produtos como esses representam fatia relevante em decorações de festas e eventos corporativos, onde o apelo visual impulsiona vendas. Empresas do ramo precisam revisar estoques e fornecedores para evitar autuações. Plataformas de e-commerce já removem anúncios da Morello, conforme exigência regulatória.
Análises laboratoriais da Anvisa confirmaram os polímeros em múltiplas amostras. "Presença de substâncias não autorizadas para uso em alimentos nos produtos 'Pó/brilho para Decoração', de diversas cores, de marca Morello", cita o despacho oficial. A medida se alinha a ações anteriores contra glitters semelhantes, como suspensões de 2025 para marcas com materiais plásticos.
Impactos econômicos recaem sobre a 3JG, responsável pela produção. A empresa opera no nicho de artigos para confeitagem, com glitters Morello vendidos a partir de R$ 20 por pote em varejistas online. Recolhimento gera custos logísticos e perdas de estoque, além de dano à reputação da marca. Contato com a Morello foi tentado, sem resposta até o momento.
Confeitarias comerciais relatam adaptação rápida. Alternativas autorizadas, como pós comestíveis à base de mica ou açúcar, ganham demanda. Fiscalizações da Anvisa intensificam em 2026, com foco em rótulos enganosos. Legislação exige certificação para itens de contato alimentar, elevando padrões de qualidade no mercado.
Consumidores expostos a riscos de ingestão de plásticos microscópicos devem verificar embalagens. A Anvisa orienta denúncias via canais oficiais para produtos irregulares. Setor projeta crescimento de 15% em confeitaria premium este ano, mas regulações sanitárias ditam conformidade para expansão sustentável.
A proibição reforça controle sobre importados e nacionais. Brasil importa 30% dos insumos de decoração alimentícia da China e Europa, onde normas variam. Empresas locais investem em certificações Anvisa para competir. Recolhimento total dos lotes Morello deve concluir em 30 dias, com relatórios de cumprimento exigidos.
3JG Indústria enfrenta inspeções adicionais. Outras marcas monitoradas incluem itens com composições similares. Mercado de confeitaria movimenta R$ 12 bilhões anuais, com decorações representando 20%. Decisão da Anvisa prioriza segurança, compelindo transição para opções certificadas.



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