Fazenda Pau D’Alho, visitada por D. Pedro I, vai virar hotel de luxo por R$ 10,9 milhões em SP
Concessão de 45 anos no programa Revive Brasil prevê restauro de R$ 10,7 milhões e 60 quartos na histórica propriedade do ciclo do café
Foto: Marco André Briones O Ministério do Turismo lançou consulta pública para concessão da Fazenda Pau D’Alho, em São José do Barreiro (SP), à iniciativa privada por 45 anos, com lance mínimo de R$ 10,9 milhões. A propriedade, construída em 1818 pelo coronel João Ferreira de Souza como uma das primeiras fazendas cafeeiras do estado, abriga a casa-sede cercada por muros de pedra e instalações como tulha, senzala e roda d’água. O projeto integra o programa piloto Revive Brasil, parceria com Portugal assinada em 2020, e exige restauro completo estimado em R$ 10,7 milhões para transformar o local em hotel de luxo com 60 quartos, preservando a autenticidade histórica tombada pelo IPHAN e Condephaat. A fazenda ganhou relevância nacional ao receber D. Pedro I em agosto de 1822, durante viagem a São Paulo, dias antes da Proclamação da Independência, quando a proprietária o atendeu sem reconhecê-lo inicialmente.
A fazenda surgiu de sesmarias concedidas em 1792 a João Ferreira Guimarães, passando em 1817-1819 para o coronel João Ferreira de Souza, que implantou monocultura de café com 300 mil pés e produção de 6 mil arrobas anuais no auge. Em 1858, após a morte do fundador, a propriedade foi herdada por Maria Ferreira Ayrosa, com cerca de 300 escravos e infraestrutura completa incluindo professor para crianças escravizadas. Adquirida pela União em 1968 via Instituto Brasileiro do Café, passou por restaurações recentes como a roda d’água e pilões. O plano de negócios referencial prevê área construída de 8,3 mil m², com blocos hoteleiros de três andares na área de influência, somando 381 quartos até 2030 na região.
O programa Revive Brasil visa recuperar bens culturais subutilizados para turismo, gerando empregos e renda via concessões licitadas. Inspirado no modelo português, o edital para Pau D’Alho, publicado em 19 de novembro de 2025, recebeu contribuições até 4 de dezembro, com audiência pública em 11 de dezembro de 2025. O Ministério do Turismo, em conjunto com MGI/SPU, IPHAN, SEPPI e BNDES, garante exigências de preservação ambiental e cultural, permitindo exploração econômica com hotéis e espaços culturais. Na região do Vale do Paraíba, o projeto alinha-se à demanda hoteleira crescente, impulsionando o turismo histórico no interior paulista.
Para empresas do setor hoteleiro, a concessão representa oportunidade de investimento em ativo único, com receita projetada via 60 quartos de luxo e visitas guiadas. O plano conceitual limita novas construções para manter o caráter fortificado da quadra original, incluindo terreiro, selaria e oficinas. Especialistas destacam o potencial para posicionar São José do Barreiro como destino premium, similar a casos em Lisboa. O edital completo, incluindo minutas, está disponível no site do Ministério do Turismo.
A operação deve injetar R$ 10,7 milhões em obras de restauro imediato, revitalizando a economia local com empregos em construção, operação hoteleira e serviços turísticos. Para investidores, o prazo de 45 anos assegura retorno via concessão de uso, com foco em sustentabilidade e valorização patrimonial. O processo avança para licitação após análises das contribuições públicas.



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